As reuniões do Caminho em Salvador acontecem aos DOMINGOS às 18:30 hs no auditório do Centro Médico da Pituba. Fica na Alameda Benevento, 405, antes da Escola Colméia, na Pituba. Vem e Vê!


Amar a humanidade é fácil, difícil é amar o próximo!


Em nossa última reunião na Estação do Caminho, 25/01/2013, propusemos a leitura de Lucas 10:25. Eis o trecho bíblico:

E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? Respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?E,respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Ao contar esta parábola, Jesus responde à pergunta do Doutor da Lei sobre quem seria o seu próximo, destinatário do seu amor.


O exemplo de Jesus encerra a tentativa de abstração do objeto da solidariedade e fraternidade humana. Ao mesmo tempo, nos coloca diante da realidade inexorável de que amar requer uma resposta humana eivada de verdade prática, cotidiana, que desafia o "si mesmo" cujo deleite está na maioria das vezes associado a apresentação de nossas virtudes, mas que encontra rigorosa prova quando somos chamados a amar os que nos rodeiam.


Em tempos de culto à filantropia, de burocracia da miséria humana, tempos em que políticos, cantores e atrizes fazem de tudo para aparecerem como pessoas "desprendidas" e "generosas", tempos em que madames ociosas não perdem a oportunidade de realizar chás beneficentes para depois saírem nas colunas sociais como "alguém que está fazendo algo para mudar a realidade social", o objeto do amor é, cada vez, mais abstrato, massa sem rosto, e a miséria torna-se uma indústria geradora de lucros e empregos, às custas de crianças abandonadas, viciados, mendigos e idosos descartados.


Este setor movimenta milhões de dolares no mundo todo, estima-se que existam mais de 20 mil ONG´s e entidades assistenciais espalhadas pelo planeta.


Não podemos esquecer das agências missionárias, milhares delas, empenhadas na proclamação do Evangelho e assistência nas áreas mais remotas do globo.


Não se pretende aqui desestimular tais iniciativas, mas alertar para o fato de que a proposta de Jesus nos chama para encarar a prática do amor, da solidariedade, fraternidade com o maior senso de realidade possível.


O próximo, o necessitado, carente de nossos cuidados, nos cercam dia-a-dia, estão em nossas famílias, dentro de nossas casas, reclamando atenção, ávidos por uma palavra, por um abraço, por perdão, por um minuto de atenção.


Amar a humanidade é fácil, difícil é amar o próximo, costumava repetir Nelson Rodrigues.


As ações humanitárias e coletivas costumam ser grandiosas e apelativas por natureza.


Despertam a generosidade nos indivíduos, mas podem servir, muitas vezes, para aplacar a culpa dos que se sentem envergonhados por terem muito, dos que não se vêem como pessoas amáveis, longânimes, altruístas, sensíveis à dor alheia e tem, pela via da doação, a oportunidade de se penitenciarem por serem tão pusilânimes e egoístas aos próprios olhos ou daqueles que o fazem para mostrarem publicamente uma pretensa "superioridade moral".


A "solidariedade do holofote" suscita a possibilidade de "amar" ao próximo, mesmo que este "próximo" esteja a milhares de quilômetros e até viabiliza a visita do solidário às vítimas sociais, matando a sede e a fome dos carentes, mas, dificilmente passa desse ponto.


A convivência com o objeto do socorro fraternal pode manifestar as diferenças próprias das relações humanas. Divergências de pensamento ou o mero estilo de vida diverso entre ajudado e ajudador já seriam suficientes para mitigar, arrefecer o "amor" ao próximo, que em muitas pessoas, só floresce enquanto o próximo for uma abstração coletiva, nunca um ser real, com cheiro, hálito, dúvidas, costumes, cacoetes, vícios ou manias.


O próximo para Jesus costuma estar ao lado.


É o marido que precisa de uma mulher menos richosa, uma mulher que espera um marido mais amável, um filho que carece do amor perdoador dos pais, o filho dos divorciados que precisa do zelo atento dos que o conceberam, um namorado ou noivo que deve à noiva ou namorada a entrega sem reticência, um convívio sem defraudação da consciência, sem manipulação das emoções.


O próximo é o vizinho de porta, aquele que encontramos nos elevador, o irmão com quem dividimos o quarto ou a casa, o porteiro, o lavador, a secretária do lar ou a babá de nossos filhos.


Esses exemplos todos são reais, oportunidades singulares de praticar o amor conforme o exemplo de Jesus, não meras abstrações coletivas.


O que fazemos quando não estamos sob as luzes da ribalta?


A quem amamos quando ninguém vê?


O que fazemos do amor quando os que estão ao lado, "tão próximos", estão sedentos dele?


O filme Histórias Cruzadas, fala da relação das senhoras brancas e suas empregadas negras numa pequena cidade do Mississipi na década de 1960. As empregadas serviam as famílias e eram a referência emocional e de carinho de muitos filhos dos brancos da época.


A maioria daquelas crianças se tornava adultos, pais e mães de famílias, mas apesar de terem crescido sob os cuidados intensos de senhoras negras, quando constituíam seus lares, reproduziam os mesmos comportamentos desumanizantes e degradantes aprendidos com alguns pais.


Deixado de lado o maniqueísmo cínico e proposital do filme, o que releva notar é a disposição das senhoras que compõem a sociedade local em realizar feiras e reuniões para arrecadação de donativos para as crianças africanas, enquanto muitas delas proíbem as suas empregadas de usarem os banheiros internos de suas casas sob o pretexto de não se misturarem com as "negras".


Este filme é só um dos milhares de exemplos de que "Amar a humanidade é fácil, difícil é amar o próximo".


Não era assim com Jesus. Ele não multiplica pães todos os dias e nem usa reuniões de massa para conquistar adeptos da benevolência.


Jesus ama, e ama a cada um, especialmente, como próximo.


Romualdo Junior


Estação Salvador


 
http://www.youtube.com/watch?v=z4WZ88unV2M&feature=youtu.be
 
           

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